Ordem militar-religiosa fundada em Jerusalém em 1119 pelo cavaleiro francês Hugues de Payens e oito companheiros sob a designação oficial de Pauperes Commilitones Christi Templique Salomonici — «Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão» —, cuja missão exotérica era a protecção dos peregrinos cristãos na Terra Santa e cuja missão esotérica, infinitamente mais relevante, era a recuperação e preservação de conhecimentos iniciáticos perdidos ou ocultos. A escolha do local da sua sede inicial — o monte do Templo de Jerusalém, sobre as ruínas do antigo Templo de Salomão — não foi acidental: os Templários sabiam, ou foram instruídos, que sob aquele local específico se conservavam vestígios da tradição iniciática salomónica e, através dela, da transmissão do Egipto antigo.
A função oculta da Ordem dos Templários, todavia, transcende infinitamente esta missão exotérica. Segundo a doutrina articulada em Os Caminhos do Graal de Pedro Elias, os Templários foram fundados como instrumento operativo da Ordem de Mariz — corrente iniciática oculta sediada em Lis-Fátima sob a direcção de Maria Madalena —, através da acção discreta e determinada de São Bernardo de Claraval. Bernardo, que era ele próprio um dos catorze seres presentes na cerimónia fundacional realizada por Maria Madalena nas margens do Zêzere no século I d.C., foi reactivado mil anos mais tarde por aparição directa de Madalena que lhe confiou três tarefas precisas. A primeira: localizar o Graal, então em Inglaterra sob custódia secreta de um iniciado, recuperá-lo e transportá-lo para o sul da França. A segunda: fundar uma ordem destinada a protegê-lo enquanto permanecesse em França. A terceira: participar directamente na fundação física da nação portuguesa que havia sido etérica e energeticamente estabelecida mil anos antes e que serviria de porto definitivo ao Graal.
Recuperado o Graal e transportado para a fortaleza de Montségur no sul da França, foi entregue aos sacerdotes Cátaros — comunidade descendente directa da igreja primitiva fundada por Maria Madalena que possuía o conhecimento necessário para conduzir as cerimónias adequadas na sua presença. A Ordem dos Templários, fundada em 1119 mas tendo a sua génese alguns anos antes através da acção subterrânea de Bernardo, articulou-se desde o início em duas missões primordiais: proteger o Graal enquanto este permanecesse em França sob custódia cátara, e simultaneamente preparar a fundação física de Portugal como nação destinada a receber finalmente o Graal. Esta segunda missão materializou-se durante o reinado de Afonso Henriques, quando os Templários, orientados por Bernardo, identificaram e protegeram os locais sagrados do território — as campânulas energéticas activadas mil anos antes pelo grupo de Madalena — construindo fortalezas, igrejas e marcos que garantissem a sua preservação até ao momento em que o Graal pudesse finalmente repousar em terras portuguesas, no Convento de Cristo em Tomar.
Durante os duzentos anos do seu apogeu (séculos XII e XIII), a Ordem desenvolveu uma estrutura iniciática própria, com graus, ritos, signos e palavras de reconhecimento — articulando, sob a roupagem cristã exotérica obrigatória pelo contexto histórico-cultural medieval, uma transmissão esotérica que entrava em contacto, durante a permanência no Oriente Médio, com correntes iniciáticas islâmicas (em particular sufis e ismaelitas), judaicas (cabalistas) e gnósticas remanescentes. Esta abertura ecuménica — radical para o seu tempo — constituiu simultaneamente a riqueza da Ordem e o motivo da sua supressão violenta.
A 13 de Outubro de 1307, a totalidade dos Templários do reino de França foi presa simultaneamente por ordem do rei Filipe IV, o Belo, ávido das riquezas da Ordem e ressentido pela sua independência política. Sob acusações de heresia, idolatria e práticas obscuras — algumas das quais reflectiam de forma distorcida elementos iniciáticos reais que a inquisição não estava preparada para compreender —, foram torturados, julgados e queimados. A 22 de Março de 1312, o Papa Clemente V suprimiu oficialmente a Ordem pela bula Vox in excelso. O Grão-Mestre Jacques de Molay foi queimado vivo em Paris a 18 de Março de 1314.
Mas a supressão papal e real não conseguiu extinguir a Ordem em todos os reinos da Europa. Em Portugal, sob a protecção do rei D. Dinis, os Templários foram preservados sem ruptura essencial: a Ordem foi formalmente extinta mas imediatamente reconstituída em 1319 como Ordem de Cristo, conservando os mesmos cavaleiros, os mesmos bens, a mesma estrutura iniciática, e estabelecendo a sua sede em Tomar. Esta reconstituição foi orientada esotericamente pela Ordem de Mariz — corrente iniciática oculta, sediada no plano subtil sob a direcção de Maria Madalena, que opera por detrás das ordens manifestas sem nunca se manifestar ela própria fisicamente como instituição. A Ordem de Cristo é, neste sentido, a face exotérica e visível da continuação portuguesa do trabalho templário, vocacionada precisamente para receber o Graal em terras portuguesas e dar continuidade às cerimónias originalmente realizadas no Templo de Karnak no Egipto. Este facto histórico tem consequências esotéricas de primeira ordem: significa que a transmissão Templária — e, através dela, a continuidade da tradição iniciática europeia — foi preservada em Portugal sem interrupção, num momento em que estava sendo violentamente destruída em todo o resto da Europa.
No quadro doutrinário do presente Tratado, os Templários constituem assim um dos elos maiores da linhagem joanina — corrente esotérica do cristianismo que prolongou, através das eras, uma interpretação esotérica da fé cristã distinta da versão dogmática institucionalizada — articulando-se ao lado dos Rosa-Cruz, de certos ramos da Cabala cristã, e de várias correntes místicas medievais e modernas. A sua memória persiste ainda hoje nas tradições maçónicas, em organizações que reivindicam descendência directa, e na geografia sagrada europeia onde os seus castelos, igrejas e pontos iniciáticos continuam a operar como marcadores subtis de uma linhagem que sobreviveu à fogueira inquisitorial.
Ver: Ordem de Mariz, Hugues de Payens, Jacques de Molay, São Bernardo de Claraval, Supressão dos Templários, Ordem de Avis, Ordem de Cristo, Tomar, Portugal, Egipto, Cabala, Maria Madalena, Lis-Fátima, Santo Graal, Três Pedras do Graal, Chintamani, Serapis Bey, Mistérios, Tradição Esotérica.