Certa vez alguém chegou junto de mim e confidenciou-me que uma pessoa amiga, de forma muito zelosa e genuinamente preocupada, lhe informara que tinha recebido uma mensagem de uma entidade espiritual que, ao fazer-se canalizar, alertava-a para os caminhos errados que estava a seguir. A mensagem era muito focada nas consequências das suas acções, daquilo que poderia acontecer se os caminhos não fossem corrigidos, servindo-se essa entidade do instrumento do medo como forma de condicionar o outro na sua própria liberdade.  No fundo, os mesmos ventos do passado que mantiveram a Humanidade submissa e incapaz de cumprir o seu potencial.

O amor incondicional é como o pólen lançado ao vento, sem destino, sem morada, livre nos caminhos deixados em trilhos onde este se deixa conduzir, permitindo que o fluir desse vento o encaminhe aonde é necessário. A planta de onde emanou nunca saberá o lugar do seu pouso, as consequências da sua acção, nem conhecerá as novas plantas por ele fertilizadas. De si, apenas se pede que se abra e se entregue, para que esse pólen possa expressar-se em liberdade, cumprindo a sua função.

Vivemos tempos muito peculiares. Se no passado estivemos amordaçados sob o peso da moral religiosa, submersos pelos seus dogmas que condicionaram a plena expressão do Ser, hoje estamos no extremo oposto, construindo novos dogmas. Tentamos mostrar às pessoas que elas podem ser tudo aquilo que quiserem, que através de uma prática, de um método, de uma técnica, podem construir uma nova personalidade. Do lado do desenvolvimento pessoal dizem-nos que podemos ser mais felizes, ter mais sucesso, mais alegria, mais paixão, do lado da espiritualidade dizem-nos que devemos ser mais coerentes, mais humildes, mais amorosos, mais altruístas e, com base em tudo isto, apresentam-nos técnicas e métodos que nos permitam alcançar estes objectivos. Mas digo-vos, que tudo aquilo que construímos com esforço através de uma técnica, seja ela qual for, é mais um personagem que colocamos sobre o palco. Melhor que o anterior, é certo, se for bem construído, mas mais um personagem.

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